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Publicada: 16/10/2017

Epecoop reúne cooperativas para debater a Intercooperação

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Fonte: Ascom Ocergs/Sescoop

Com o expressivo número de 365 participantes, foi realizado no Centro de Eventos de Nova Petrópolis, na Serra Gaúcha, o 5º Encontro de Presidentes e Executivos de Cooperativas (Epecoop), com a proposta de debater a intercooperação e estratégias conjuntas de desenvolvimento das cooperativas gaúchas. A cerimônia inicial levou ao palco o presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Perius, o diretor-secretário da Ocergs, Paulo Pires, o representante do governo do Estado e secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Tarcísio Minetto e o representante do Sistema OCB/Sescoop, superintendente Renato Nóbile.

Vergilio Perius saudou a presença dos cooperativistas e salientou que o tema de trabalho proposto para o evento, a Intercooperação, não é apenas o sexto princípio cooperativista, mas também um anseio expressado pelos participantes do XVII Seminário Gaúcho do Cooperativismo, realizado em 2016 na cidade de Gramado, de que o Sistema cooperativista trouxesse esse relevante tema para o centro dos debates.

A programação disponibilizada aos participantes teve como objetivo discutir o papel da intercooperação no desenvolvimento do cooperativismo gaúcho, em um evento dirigido aos presidentes e executivos das cooperativas. Após a abertura do evento, os presentes assistiram à palestra de Scott Taylor, professor de Comportamento Organizacional na Babson College (Estados Unidos) e pesquisador do Laboratório de Pesquisa de Coaching da Case Western Reserve University.

Taylor pautou a sua apresentação na Liderança Estratégica, tema que estuda a mais de 30 anos. Destacou em sua apresentação que padrões éticos adequados alteram positivamente a produtividade nas organizações, e disse também que mesmo com a utilização de grandes tecnologias, as razões pelas quais alguns líderes fracassam são as mesmas, citando a intimidação, a postura ofensiva e atitudes insensíveis. Completou ainda que líderes que agem desta forma são frios e distantes, com decisões tomadas impulsivamente. Para enfatizar seus argumentos, Scott Taylor fez com que os participantes trouxessem para as suas realidades exemplos de lideranças e finalizou dizendo que, em contrapartida a esse tipo de liderança, “onde os líderes conduzem seu trabalho com emoções positivas, conseguem trazer efeitos positivos para as organizações”. A palestra de Taylor exigiu dos presentes concentração e participação, quando tiveram que interagir com o palestrante e traçar perfis de seus líderes inspiradores.

Após a palestra do professor norte-americano, foram apresentados os cases de intercooperação das cooperativas da Cooperativa Central de Leite Ltda. (CCGL), Redeagro, Confederação Sicredi, Unimed Central de Serviços, Fecoergs, Nova Aliança e Rede Transporte, com debate por seus representantes sobre as estratégias de intercooperação. Como última atividade do dia, os participantes foram divididos em grupos de trabalho para analisar e propor novas estratégias de cooperação entre as cooperativas gaúchas. Os temas propostos foram Compras em Comum (Varejo), Compras em Comum (Medicamentos), Vendas em Comum, Transporte e Logística, Industrialização em Comum, Compartilhamento de Soluções Tecnológicas e Prestação de Serviços.

Grupos de Trabalho

Na abertura do segundo dia do evento foram apresentadas as conclusões dos grupos de trabalho e os encaminhamentos estabelecidos.

Compras em Comum: Varejo

O primeiro grupo a se apresentar teve como coordenador o presidente da Redeagro, Gelso Manica, e foi representado pelo assessor da FecoAgro/RS, Cloves de Moura, que explanou sobre os dois projetos levantados. O primeiro se refere à integração e divulgação dos resultados da Redeagro, com reuniões regionais com as diretorias das cooperativas. “Além de conscientizar e divulgar, a ideia é gerar maior adesão e fidelização à Redeagro, proporcionando maior efetividade de negócios”, explicou Moura.

O segundo projeto propõe uma rodada de negócios, com aumento do portfólio de produtos e do volume de negócios, que ficará a cargo do comitê de compras da Redeagro e da Rede Transporte. O grupo também avaliou necessária a formação de um grupo de trabalho permanente focado em projetos de intercooperação sobre os temas tratados. A composição sugerida envolveria a Agroprado, Cenecoop, Comtul, FecoAgro/RS, Redeagro e Rede Transporte.

Compras em Comum: Medicamentos

O coordenador e relator do segundo grupo de trabalho, o diretor de Gestão Organizacional e de Integração da Federação Unimed/RS, Jorge Martines, trouxe a proposta de estruturar a centralização de compras de medicamentos, devido ao potencial de ganhos em compras em conjunto. O projeto tem como base a expertise e o trabalho já desenvolvido pela Unimed Central de Serviços (Canoas), que ficaria responsável por realizar este trabalho, ampliando a estrutura atual para compras de medicamentos veterinários e odontológicos.

Vendas em Comum

O grupo de Vendas em Comum foi coordenado pelo presidente da FecoAgro/RS e diretor-secretário da Ocergs, Paulo Pires, e teve como relator o presidente da Cotrijal, Nei Mânica. Em sua explanação, Mânica apresentou os dois projetos encaminhados pelo grupo de trabalho. O primeiro deles prevê reunião entre os presidentes, executivos e as áreas comerciais das cooperativas de grãos, com o objetivo de alinhar as intenções e aderir à proposta de vendas em comum. Entre os participantes estariam as cooperativas Cotrisoja, Cotribá, Cotrijal, Coagrisol, com convite estendido às cooperativas Cotriel, Cotrisal e outras interessadas. Mânica destacou que a Cotrijal ficará responsável pela reunião, que deve acontecer ainda no mês de outubro.

O segundo projeto proposto envolve o mesmo tipo de reunião com as cooperativas de produtos industriais, também para alinhamento de intenções e adesão à proposta estabelecida de vendas em comum. Neste caso, a reunião ficaria sob a responsabilidade da Cooperativa Piá, e aconteceria em Nova Petrópolis, durante o primeiro semestre de 2018, envolvendo cooperativas agropecuárias com produtos industrializados e o Sicredi.

Transporte e Logística

Na exposição do grupo de trabalho de Transporte e Logística, coordenado pelo presidente da Rede Transporte e diretor da Ocergs, Abel Paré, a relatoria ficou a cargo do presidente da Cotraibi, Roberto Brezolin. Entre os projetos propostos está uma parceria das cooperativas envolvidas com o Sescoop/RS e o sistema de saúde cooperativo, visando à criação do Dia “D” da saúde, com o objetivo de orientar e conscientizar os associados motoristas sobre a importância de questões ligadas à saúde. Nesse projeto, a ideia é realizar a prevenção de acidentes, com a mobilização de profissionais e familiares, tendo como local as principais rodovias de escoamento do Estado e os pontos de parada dos motoristas. Com a necessidade estabelecida da criação de um grupo de trabalho permanente, a responsabilidade ficará a cargo das cooperativas Rede Transporte, Cootac, Cootracam e Coomat.

Outra resolução exposta pelo grupo trata da gestão de riscos, com monitoramento de frotas e cadastro positivo de motoristas. O objetivo envolve a mitigação de riscos, segurança, prevenção de acidentes e eficiência na prestação de serviços. A proposta contempla uma plataforma de gestão, composta por uma central de informações com banco de dados, e ficaria sob a responsabilidade da Rede Transporte, em parceria com fornecedores, com a previsão de ser realizada em março de 2018.

Dentro do grupo de Transporte e Logística foi levantado também a necessidade de intercooperação entre as cooperativas de Transporte e as cooperativas agropecuárias, de Saúde e de Crédito, em virtude de os ramos terem vários produtos e serviços de interesse comum, como planos de saúde com as cooperativas do ramo de Saúde e cartões corporativos com as cooperativas de Crédito. A concepção do projeto prevê a realização através da Transpocred, Rede Transporte e federações dos demais ramos, durante o segundo semestre de 2017 e o primeiro semestre de 2018.

Industrialização em Comum

O grupo de trabalho Industrialização em Comum teve como porta voz o seu coordenador, o diretor administrativo e financeiro da Cooperativa Santa Clara, Alexandre Guerra. Entre as propostas apresentadas, a primeira envolve a otimização do espaço de plantas existentes ociosas por segmento para objetivo comum. O motivo é justamente a redução de custos e a otimização das plantas existentes de cooperativas do Rio Grande do Sul. A execução do projeto ficou sob a responsabilidade da Cosulati, Santa Clara, Cotripal, CCGL, Camnpal, Cotricampo, Coopatrigo e FecoAgro/RS, com realização prevista em 90 dias. A convocação das cooperativas por segmento será feita pelas entidades Ocergs, FecoAgro/RS e Fecovinho.

O segundo projeto apresentado por Alexandre Guerra tratou do estudo de viabilidade do segmento carne bovina (produção, oferta, demanda e acumulo de tecnologias). Segundo o diretor da Santa Clara, a ideia é ingressar em um novo segmento de industrialização, gerando mais rentabilidade aos associados e cooperativas, e agregando valor e oportunidade para ambos. O estudo para a criação do frigorífico bovino envolveria as cooperativas interessadas e as federações e teria como prazo o primeiro semestre de 2018.

Na proposição ficou definido a criação de um grupo de trabalho permanente, composto pelas cooperativas Santa Clara, Cotripal, CCGL, Piá, Coopatrigo, Camnpal, Cotricampo e Cooprado, com atuação por segmento de atividade.

Compartilhamento de Soluções Tecnológicas

O grupo Compartilhamento de Soluções Tecnológicas, coordenado pelo presidente da Coprel, Fecoergs e Infracoop, Jânio Stefanello, teve como relator o presidente da Sicredi Pioneira RS, Márcio Port. O dirigente da cooperativa de Crédito apresentou dois projetos, sendo o primeiro deles a criação de um programa tecnológico de compartilhamento de soluções, que visa à otimização da intercooperação, dos custos, resultados, eficiência tecnológica, produtividade, recursos e ociosidade. Este ambiente virtual deverá ser executado por um grupo de trabalho com técnicos em TI ou profissionais designados pelas cooperativas, centrais e federações. A primeira reunião será realizada no dia 20 de outubro e a finalização se dará em abril de 2018, com a Cooperativa Doce Vale ficando responsável por convocar a primeira reunião.

O segundo projeto contempla a criação de uma plataforma de oferta e demanda de produtos e serviços. A ideia é que ocorra intercooperação das cooperativas para otimização da oferta e da demanda de produtos e serviços, dentro de um ambiente virtual, cuja responsabilidade pela realização ficará a cargo das cooperativas lideradas pela Fecoergs, Rede Transporte e Cooplib, com a primeira reunião prevista para 14 de novembro e a conclusão para junho de 2018.

Prestação de Serviços

Com a coordenação do presidente da Coopeeb e diretor da Ocergs, Valdir Feller, o grupo Prestação de Serviços teve como porta voz a presidente da Fetrabalho/RS e diretora da Ocergs, Margaret Cunha. O primeiro projeto apresentado foi a contratação de serviços das cooperativas abrangidas pela lei n° 12.690 pelos demais ramos do cooperativismo, com o objetivo de divulgar os serviços oferecidos por estas cooperativas e também formar um cadastro de cooperativas interessadas em aderir esta proposta. Os locais propostos seriam a Fetrabalho/RS e a Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo – Escoop e a realização desta iniciativa ficará a cargo da Fetrabalho/RS, Mitra, Ocergs, Cootravipa, Coopeeb, Cooperconcórdia, Coeducars e Coavisul, durante o mês de novembro de 2017.

O segundo projeto envolve a criação de um banco de dados contendo informações sobre as cooperativas para divulgação dos serviços realizados. Já a terceira proposição apresentada por Margaret foi a criação da rede de serviços compartilhados de administração, contabilidade, marketing e formação de profissionais, visando redução de custos e otimização de recursos, além de maior qualidade dos serviços.

Na formatação dos projetos expostos ficou estabelecido a necessidade da formação de um grupo de trabalho permanente focado em projetos de intercooperação, que seria integrado pela Fetrabalho/RS, Mitra, Ocergs, Cootravipa, Coopeeb, Cooperconcórdia, Coeducars e Coavisul.

Ética e Cooperativismo

O economista e cientista social, Eduardo Gianetti, iniciou a palestra “Ética e Cooperativismo” estabelecendo uma diferenciação entre os conceitos de moral e ética.

“A moral denota o código de conduta acerca de um agrupamento humano, percepção compartilhada que todo agrupamento humano tem, uma percepção robusta amplamente compartilhada acerca do que é certo e do que é errado, acerca do que é proibido e do que é permitido, acerca do que é obrigatório e do que é facultativo. Já a ética introduz um juízo reflexivo acerca do comportamento moral. É uma prática de reflexão, de um juízo crítico que avalia se aquilo que é comumente certo ou errado, proibido ou permitido, facultativo ou obrigatório. A ética introduz um juízo para saber se é justificado ou não o código moral vigente”, afirmou.

Segundo Gianetti, a ética vive num estado de tensão com a moral. “A ética nos coloca diante de dilemas na vida pessoal e no conjunto”, ressaltou o economista, que afirma que as duas grandes conquistas da ética cívica no século XX foram as regras de convivência no campo da política, na qual a democracia é a maio conquista, e no campo da economia, a grande vitoriosa foi a economia de mercado.

Cooperativismo como modelo superior

Eduardo Gianetti destaca que o cooperativismo permite economia de escala em compras, vendas, tecnologia, marketing e outros assuntos. “O cooperativismo permite ao pequeno produtor, quando se junta a outros pequenos produtores, competir com empresas agressivas”.

Ao se referir ao modelo cooperativista, Gianetti o define como um modelo superior do ponto de vista ético.

“Eu sou um entusiasta do cooperativismo. Eu acho que é um modelo superior a esse modelo da radical cisão e do capital de trabalho, que é um modelo de confronto que traz a competição para dentro da organização. Há um elemento de competição inescapável, mas dentro da organização eu prefiro a cooperação. É um modelo que se justifica porque ele viabiliza o pequeno produtor, porque ele democratiza a propriedade e deduz a desigualdade. A distribuição dos resultados se dá para todos os cooperados, não é totalmente apropriado pelos poucos proprietários acionistas que são os donos de capital”.

Momento atual brasileiro

No complemento de sua palestra, Gianetti explanou sobre o momento atual brasileiro e citou a Operação Lava Jato como uma condição necessária para a correção do rumo do País. “O que a Lava Jato faz é um diagnóstico do nosso câncer, a corrupção. A Lava Jato não é a condição suficiente, mas é necessária”. O palestrante colocou as eleições de 2018 como a condição suficiente para o Brasil se livrar da situação em que está. Adepto da democracia como condição para efeito corretivo, Gianetti acredita que as urnas darão uma resposta para aquilo que ele define como a “velha política”, não dando espaço mais para ela.

Gianetti ressalta que a Operação Lava Jato é o mais importante acontecimento da vida pública brasileira na atualidade, equivalente ao que foi a redemocratização em meados dos anos 80 e equivalente ao que foi a conquista da estabilidade da moeda nos anos 90. “A Operação Lava Jato escancarou a deformação patrimonialista do estado brasileiro. Por mais dolorosa que seja, esse processo de apuração e autoconhecimento pelo qual o Brasil está passando é fundamental para que o País cresça e eu tenho a convicção de que nós vamos sair dessa crise bem melhor do que nós entramos nela”, concluiu.

A palestra de Eduardo Gianetti contou com a participação dos diretores da Ocergs, Irno Pretto e Orlando Müller, como debatedores.

Estado homenageou cooperativas centenárias em Nova Petrópolis

Como evento festivo do 5º Epecoop, na noite do dia 05 de outubro, no Clube Tiro ao Alvo, governador José Ivo Sartori, em parceria com o secretário Tarcísio Minetto (SDR) homenageou seis cooperativas com mais de 100 anos de atividades no Rio Grande do Sul. Foram agraciadas a Cooperativa Santa Clara, de Carlos Barbosa, com 5.316 sócios; a Cooperativa Agrícola Mista General Osório, de Ibirubá, com 10.239 sócios; a Sicredi Pioneira, de Nova Petrópolis, com 120.258 associados; a Sicredi Vale Taquari, de Lajeado, com 50.243 associados; a Sicredi União, de Cerro Largo, com 134.878 associados; e a Sicredi Região Centro, de Santa Maria, com 65.951 associados. O governador parabenizou as lideranças pelo protagonismo, que resulta em mais emprego, renda e fortalecimento da economia regional.

“O papel das cooperativas é fundamental para o desenvolvimento, assim como nós do governo temos como objetivo principal trabalhar para permitir uma realidade melhor para as pessoas que mais precisam. Vocês são o exemplo do Rio Grande que dá certo”, destacou Sartori.

Para o presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Perius, reconhecer o trabalho centenário é um ato simbólico, que serve de estímulo.

“O governador premia nessa noite os nossos imigrantes que, lá atrás, escolheram o Rio Grande para firmar raízes e fomentar o desenvolvimento. Formaram cooperativas, que hoje somam 387 mil associados. Essas seis histórias nos inspiram e nos fazem ter esperança em um Rio Grande melhor para todos”, lembrou.

Os secretários do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Tarcisio Minetto, e da Agricultura, Pecuária e Irrigação, Ernani Polo; o presidente do BRDE, Odacir Klein; o deputado federal Luiz Carlos Heinze; e o deputado estadual Elton Weber também estiveram presentes no encontro promovido pelo Sistema Ocergs-Sescoop/RS, além da diretoria da Ocergs e presidentes das homenageadas.